20 de setembro de 2013

Papa critica obsessão da Igreja com aborto e prega respeito com gays

O papa Francisco afirmou que a igreja tem o direito de expressar suas opiniões, mas não deve "interferir espiritualmente" na vida de gays e lésbicas. A entrevista do pontífice foi publicada no jornal jesuíta "La Civiltà Cattolica". Ele também aproveitou para criticar a 'obsessão' da igreja por aborto e contracepção. Em julho, Francisco já havia abordado a questão da homossexualidade, dizendo que os gays 'não devem ser julgados'.

"Uma pessoa me perguntou uma vez, em tom provocativo, se eu aprovava o homossexualismo", disse. "Eu respondi com uma pergunta: Quando Deus olha para uma pessoa gay, ele reconhece a existência desta pessoa com amor, ou a rejeita e condena? Sempre precisamos considerar esta pessoa". "A proclamação do amor salvífico de Deus vem antes de imperativos morais e religiosos", completou

O papa também afirmou que nunca foi "de direita" - após ser escolhido pontífice, argentinos acusaram Francisco de ter colaborado com a ditadura argentina (1976-1983). Recentemente, um grupo de perseguidos políticos disse ter recebido a ajuda do então cardeal Bergoglio. Na entrevista, Francisco procurou estabelecer um novo tom para a igreja, dizendo que ela deveria ser uma "casa de todos" e não uma "capelinha", focada na doutrina, na ortodoxia e em uma agenda limitada de ensinamentos morais.