5 de agosto de 2013

Políticas sociais aumentaram expectativa de vida no Nordeste

O Nordeste registrou o maior avanço na expectativa de vida nos últimos 30 anos, passando de 58 para 71 anos, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica (IBGE). Para cientistas políticos brasileiros, a mudança registrada na região, que tinha a menor taxa do Brasil nos anos 1980, pode ser atribuída ao aumento de salário mínimo e implementação de programas de renda dos últimos anos. Seria resultado da substituição de uma política neoliberal para uma mais comprometida com as questões sociais.

Marcus Ianoni, chefe do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense, acredita que os novos indicadores do Nordeste são relacionados à migração de um modelo de política neoliberal para um modelo social desenvolvimentista, implantada durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que levou à região melhor distribuição de renda e maior acesso a recursos básicos. Ele ressalta ainda o fortalecimento da democracia e serviços privados voltados a diferentes públicos, como planos de saúde acessíveis a diversos níveis de consumo.

Carlos Eduardo Martins, chefe do Departamento de Ciências Políticas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, acrescenta a essas questões o aumento do salário mínimo e a implantação de políticas de renda como o Bolsa Família, sobretudo nos governos de Lula e Dilma Rousseff. Apesar de ressaltar que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer, por ainda estar abaixo de países da América Latina. Nos próximos anos, ele prevê, o salto seria ainda maior, com a modernização da medicina e da tecnologia.

A queda de 75,8% da mortalidade infantil é apontado como principal fator para a elevação da expectativa de vida no Nordeste. A concentração de médicos na região, de acordo com Martins, no entanto, ainda é insuficiente. “Não podemos achar que estamos cumprindo maravilhosamente nosso papel, ainda estamos fora dos padrões da OMS. Acredito que as políticas sociais dos últimos anos contribuíram, mas que ainda há muita coisa que pode ser feita”.