31 de julho de 2013

Produtores da região de Uauá mostram força do cooperativismo

“Um dos incentivos para criar a cooperativa foi aprender a beneficiar as frutas da caatinga para fazer doces, geleias, sucos e outros produtos que até então eram feitos apenas para o consumo da família. Percebemos que era um produto de qualidade e que geraria venda”. Com esse depoimento, Benedita Varjão Barbosa, de 37 anos, justifica sua participação no desenvolvimento da Cooperativa de Agropecuária Familiar de Canudos, Uaúa e Curaçá (Coopercuc), criada em 2004 e formada hoje por 242 cooperados.
Ela assegura que fazer parte da história da cooperativa é um privilégio e muita coisa mudou em sua vida nos últimos nove anos. Benedita e duas filhas mudaram para Uauá, onde está a sede da Coopercuc, e, além da renda da cooperativa, recebe ajuda de custo para as despesas básicas. Uma filha está estudando em Juazeiro e o marido continua na roça, cuidando dos animais. Atualmente, como diretora financeira da cooperativa, Benedita e os demais cooperados trabalham juntos para fazer com que a Coopercuc continue sustentando a força na comercialização de produtos originados em frutas da caatinga. A principal atividade é o aproveitamento do umbu, fruta com safra que vai de dezembro a abril.

Construídas em três municípios do semiárido baiano, onde a seca é presença constante, e a atividade principal sempre foi a criação de caprinos e ovinos, a atividade de beneficiar frutas nativas encontrou seu mercado. Em seus nove anos de existência, a cooperativa mantém força no comércio interno e já sustenta seu nome na comercialização dos produtos em outros países, a exemplo de Itália, França e Áustria.

Fábrica - A Coopercuc funciona com uma fábrica central em Uauá e outras 14 espalhadas em comunidades dos três municípios que compreendem a cooperativa. A produção média anual é de 150 toneladas. De acordo com Adilson dos Santos, presidente da Coopercuc, “as mulheres representam grande força na cooperativa com a continuidade de um trabalho que já era realizado de forma coletiva nas comunidades. Hoje, elas são maioria na frente de trabalho”.

A cooperativa conseguiu este ano financiamento através do Banco do Nordeste para construção de mais uma fábrica. “Essa conquista poderá resolver todos os entraves e fatores restritivos no âmbito do processo produtivo propriamente dito”, afirma Adilson. O Sebrae participou dessa conquista através de contatos com o Governo do Estado, elaboração do projeto com levantamento de projeções, estudo de viabilidade, acompanhamento junto aos órgãos financiadores e suporte técnico.

“Desde a criação da Coopercuc, o Sebrae fornece apoio ao grupo, com o entendimento da filosofia de trabalho dessa cooperativa, enxergando as possibilidades e processos de mudança. Aplicamos duas soluções de inovação, que são a tecnologia e o acesso ao mercado”, avalia o técnico do Sebrae em Juazeiro, Rinaldo Moraes.

Segundo Adilson dos Santos, a instituição atuou ainda através de apoios com certificações orgânicas, participação em feiras e exposições, viagens comerciais, realização do Festival do Umbu, que já está na 5ª edição, além de capacitações, dentre outras ações.